Regina
Blog Somos Maré

"A educação precisa mudar. Enquanto os estudantes forem cobrados a memorizar para o vestibular, a aprendizagem é reducionista.
Os aprendizes merecem mais." Regina Pundek

O papel da escola para o futuro.

por kidsadm - 30 julho, 2019

Tu, que olhas teu filho pequenino encantado com as tampas das panelas,
Tu que o vês a fazer castelos de areia, a caçar joaninhas, sementes e conchinhas…
Tu que te encantas com as primeiras palavras que ele lê e escreve,
É contigo que quero conversar!

Quando chega a hora de levantar critérios para avaliar escolas e, tu sabes que o futuro surpreenderá e vai fazer tudo diferente com essa geração. Tu já sabes, tens visto, que o planeta e a sociedade estão em crise e, ninguém pode afirmar como o mundo e o mercado de trabalho serão em 2050. Dizem que a nova geração precisará se reinventar, reconstruir, inovar em formas de trabalho. Concordamos, não é? Mas como fará isso com a formação que recebem nas escolas atuais?

Confio que os pais de hoje não querem mais fazer vista grossa à chance de criar um futuro melhor! Então, te proponho que penses o que as escolas deveriam estar ensinando hoje? A resposta certamente é que as escolas precisam garantir o desenvolvimento socioemocional, para que teu filho aprenda a lidar com mudanças, consiga aprender coisas novas e preserve o equilíbrio mental frente a frustrações e situações não rotineiras. O desenvolvimento de uma competência no início da vida influencia diretamente as habilidades da vida futura. Garantir desenvolvimento não é transmitir conhecimento, pois é algo processual e não pontual.
Sendo assim ao escolher uma escola, os pais devem levar em consideração que o impacto desse ambiente será muito maior a longo prazo sobre as habilidades socioemocionais da criança do que sobre suas competências cognitivas.
Ou seja, crianças que crescem em espaços seguros, acolhedores e afetivos têm maior chance de se tornarem adultos resilientes, focados, persistentes e emocionalmente preparados, dentre outras características desse campo de habilidades.

Mas como tu podes ter certeza de que este trabalho é realizado dentro de uma escola, se ele não é mensurável e nem percebido a curto prazo? Minha orientação sustenta-se na máxima: a escola são as pessoas! Não são os edifícios, as quadras, nem as apostilas, provas ou notas.
Quem são os profissionais que lá trabalham?
Exercem entre si o que se propõem a praticar com as crianças?
Tomam decisões democráticas?
Com que frequência estudam, refletem e qualificam a práxis? Ampliam? Diversificam? Ou a metodologia está presa a pensamentos filosóficos do passado?
Esses professores, essas pessoas são produtoras de cultura?

Uma escola focada na memorização de conteúdos obrigatórios para a realização de provas, produzirá uma massa homogênea se seres pouco pensantes. Contudo, aquelas cuja intenção é o desenvolvimento socioemocional e a resolução de problemas presentes no dia a dia escolar ou do bairro, promovem a formação necessária aos humanos de amanhã.

Eu quero te convidar agora a conferir o nosso trabalho e a conhecer as pessoas que fazem nossa escola existir. Nossa escola chama-se Maré porque acreditamos na potência inovadora desta palavra, que tão bem representa nossa atuação na educação brasileira. Trabalhamos para mudar a escola, melhorar a educação, transformar o país.
Estamos te esperando!
Regina Pundek

Ah, a Maré da Kids está inserida nas publicações:
Livros:
Acorda, Alice – mãe, o que você está fazendo com seu filho (editora Landscape); Picolé e Sorvete para Todos – Percursos de uma Escola Inovadora e Criativa (editora Paco); Inovações Radicais na Educação Brasileira (editora Penso); Diálogos Educacionais (editora Vozes).
Mestrados:
em Arte e Educação na USP/2012 – O Essencial no Ser e A Poesia dos Sentidos e dos Significados – Reflexões sobre arte e educação em contextos destinados à primeira infância
e em Arquitetura e Urbanismo na UFMG/2018 – Refazenda: Jardinagem e Micropolítica.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sobre a Maré

Mandala

Por uma educação que contribua para a formação de sujeitos pacíficos, amorosos, autônomos, respeitosos, empáticos, atuantes, pensantes, batalhadores, corajosos, lúcidos e decididos. Capazes de atuar no mundo de maneira crítica e sensível.

Ler mais...

Siga-nos

Estudar ou Aprender!?

É possível fazer educação sem escola?

Nosso país tem sérios problemas na Educação.  Entre eles cito: a cultura escolar elitista, a falta de visão estratégica, a desinformação da sociedade, interesses corporativistas, fracasso e evasão escolar, despreparo de professores e ainda a baixa qualidade de ensino. Reconhecer esses problemas é o primeiro passo para a mudança.  Um primeiro passo de um longo caminho, mas que garante a  perspectiva da busca por soluções.

Há escolas e professores com uma indignação pungente que utilizam novas práticas, que refletem, que se movem e comovem, que se unem e reúnem em nome de uma educação democrática, libertária e criativa. A necessidade do apoio das comunidades é grande. A divulgação das propostas inovadores, que oferecem luz à questão é uma possibilidade de ajuda.

Vale contar a experiência vivida por quatro brasileiros que viajaram por nove países para conhecer centros de aprendizagem avançados. Essa história rendeu o livro “Volta ao mundo em 13 escolas” que será lançado em outubro, e tem por objetivo “alargar horizontes”, como define o jornalista André Gravatá, usando uma expressão do escritor Manoel de Barros.

O foco no vestibular e na competitividade de um suposto futuro profissional é a grande distorção que impede o fluxo da renovação que vem surgindo. A partir do momento em que se decide não sistematizar um método de trabalho, mas sim fazer com que as crianças construam espontaneamente o aprendizado, surge uma nova maneira de educar.  Educar para a vida e para o hoje é  permitir que o conhecimento seja realmente construído.

Precisamos sair da questão de dificuldade de aprendizagem e olhar para a dificuldade de “ensinagem”.  Só podemos ensinar aquilo que desejam aprender, o resto é memorização e não aquisição de conhecimento. De nada valem os conteúdos programáticos sem o interesse do aluno.  Esse sujeito a quem chamam de estudante, não deseja estudar, visto que o que o que querem lhe incutir cognitivamente não lhe desperta interesse.  Esse sujeito, que merece o respeito de todos, cuja curiosidade deveria ser mantida,  precisa ser visto como um aprendiz!

A diferença entre estudar e aprender traz respostas em si mesma.  Esse é o paradigma a ser quebrado pelas famílias, escolas e professores. A partir desta quebra a educação formará homens e mulheres que primeiramente saibam se expressar, sejam capazes de tomar decisões, de arcar com responsabilidades e de serem felizes.

Não queremos mais uma escola na qual o aluno é treinado para fazer parte de um mundo de produtores calados e conformados.  Não queremos uma escola que disciplina rigidamente, uniformiza no sentido mais amplo da palavra e que tenta anular diferenças. Não queremos mais esta escola que cala a alma de seus aprendizes para encaixá-los num sistema de vencedores e vencidos, opressores e oprimidos.

Para mudar o mundo precisamos rever nossos princípios e valores, perceber que a criatividade e a flexibilidade são práticas que urgem na vida deste novo cidadão, que conhece seus direitos, respeita os alheios e participa da construção de sua história social.

Cabe às famílias compreender esta evolução e encontrar e participar de escolas onde seus filhos sejam aceitos como aprendizes interessados e participativos, características que as crianças possuem naturalmente.  Escolas que fomentem a curiosidade e a liberdade intelectual, e façam da vida escolar uma vida alegre e prazerosa.

Cabe as instituições escolares a renovação de sua prática metodológica, numa quebra de muros para além do concreto.  Cabe aos professores a certeza de que é a firmeza dos propósitos e o amor que asseguram a construção do mundo melhor.

Regina Pundek